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segunda-feira, 19 de abril de 2010

No minuto: Força de vontade é o primeiro passo na luta contra o vício do crack

Nominuto.com acompanhou drama de uma mãe que tenta tratar a filha contra a dependência do crack. Menina de 15 anos conseguiu internação.

Por Thyago Macedo

Fotos: Thyago Macedo

Sair de qualquer vício é um grande desafio para qualquer pessoa. No entanto, esse desafio se torna ainda maior quando a vítima é uma menina de apenas 15 anos e sua dependência é causada pela pior droga: o crack. Na última terça-feira (13), o Nominuto.com noticiou o drama de uma mãe que lutava por um lugar para tratar a filha viciada. Durante toda semana a reportagem acompanhou mãe e filha que, agora, vêm uma luz no fim do túnel.

Na tarde da sexta-feira (16), a adolescente de 15 anos finalmente conseguiu um lugar para se tratar. Mas, o drama dela e da mãe, a costureira Silvania Angélica começou bem antes disso. Em agosto do ano passado, quando filha passou 24 dias desaparecida, a costureira descobriu que ela era viciada em drogas.

A partir daí, Silvania tem lutado dia e noite para resgatar sua filha. Nas últimas semanas, a adolescente vinha sendo mantida presa dentro de casa. Em algumas noites, o desespero pelo consumo de drogas era tanto que a jovem chegou a ameaçar a mãe com correntes e faca.

Desesperada, a costureira se viu sem condições de manter a menina sob seu domínio. Até mesmo os longos cabelos, a adolescente raspou, assim como fez com as sobrancelhas. Tudo isso, em momentos de crise, nos quais se sente perseguida e ameaçada por forças ocultas.

A mãe, que é evangélica, tentou de várias formas levar a filha à atividades sociais que pudessem trazê-la de volta a presença de boas companhias. Contudo, as tentativas foram sem sucesso. “Minha filha precisa de tratamento urgente. Ela está passando por um problema muito grave, se não for tratada logo, não sei o que pode acontecer”, lamentava a mãe no início da semana.



Os dias passaram e pra surpresa tanto da costureira quanto dos que acompanhavam o caso, um fato novo começou a mudar a vida de mãe e filha: a própria adolescente viciada em crack reconheceu que estava mal e pediu que para se tratar.

A força de vontade da menina foi testemunhada durante um encontro realizado no Conselho Estadual de Entorpecentes (Conen-RN). Silvania e a filha foram recebidas pelo sargento da Polícia Militar Vantuil Carvalho de Oliveira e saíram de lá direto para uma clínica de reabilitação.

Ambas contaram momentos das suas vidas. A mãe explicou que se separou do pai da adolescente há oito anos e de lá para cá ela se tornou mais rebelde. De acordo com a costureira, seu companheiro a maltratava o que pode ter influenciado no comportamento da filha.

A menina reconheceu que ficou mais rebelde depois que os pais se separaram e, principalmente, depois que a mãe arrumou novo companheiro. “Eu ficava com raiva das coisas de casa e por comecei fumando maconha. Até disse a minha mãe que usava maconha, mas, ela nunca acreditou”, relata.

De acordo com Vantuil Carvalho (foto), a mãe não acreditou nas informações da filha porque a maioria das pessoas não espera que esse problema aconteça em suas casas. Mesmo a filha chegando em casa sob o efeito de droga, a costureira pensava que ela tivesse ingerido bebidas alcoólicas.

A adolescente disse ainda que começou a fumar maconha aos 13 anos por influência de um amigo do bairro. “Fiz isso porque estava com raiva e pela minha burrice”, afirmou. Há sete meses, a jovem conheceu o crack e então passou a usar a droga mais forte.

Para manter o vício ela chegou a se prostituir. “Ela tem pedido pra eu não deixar ela sair de casa. Então, toda noite quando está em crise eu sento perto dela e fico conversando. Mas, tem sido muito difícil, por isso queremos o tratamento”, destaca Silvania Angélica.

Durante a conversa na tarde de sexta-feira, no Conen, mãe e filha receberam a notícia que há dias esperavam: uma vaga em um centro de tratamento para dependentes químicos. As duas foram conduzidas até o local e a adolescente ficou internada no mesmo dia.

O acompanhamento delas será feito pelo Conselho Estadual de Entorpecentes e também pelo Departamento de Prevenção e Acompanhamento ao Usuário de Drogas (Depad), da Secretaria Municipal de Assistência Social.

Depois da notícia da internação, a costureira Silvania Angélica parecia não acreditar que a luta para resgatar a filha começava a ter novos contornos. Ela chegou a se emocionar e esperançosa declarou que vai ver a filhar voltar a ser o que era antes das drogas. “Se Deus quiser ela vai voltar a ter os lindos cabelos que tinha”, comenta.


http://www.nominuto.com/noticias/policia/forca-de-vontade-e-o-primeiro-passo-na-luta-contra-o-vicio-do-crack/51197/

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