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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Depoimento de agredido na Paulista reforça suspeita de homofobia

Segundo vítima, grupo perguntou se ele namorava um amigo.

Polícia suspeita que os cinco jovens são responsáveis por três ataques.

Paulo Toledo Piza
Do G1 SP

Um jovem atacado por quatro adolescentes e um maior de idade na região da Avenida Paulista prestou depoimento à Polícia Civil nesta segunda-feira (22), em São Paulo. Segundo as investigações, o homem foi agredido com socos e pontapés no dia 14 pelo grupo que usou uma lâmpada fluorescente para bater em outro rapaz, no mesmo dia e na mesma região.
Segundo o delegado José Matallo, titular do 5º Distrito Policial, na Aclimação, Centro, há mais evidências de homofobia como motivação para o crime. A vítima, que não teve o nome divulgado, disse que esperava um táxi com um amigo próximo à Avenida Brigadeiro Luís Antônio quando os agressores passaram e perguntaram: “Vocês são namorados?”. Em seguida, partiram para cima da dupla.
“Ele contou que foi agredido, mas conseguiu fugir para a estação Brigadeiro do Metrô”, afirmou o policial. Menos sorte teve seu colega, que não conseguiu escapar e foi “cruelmente espancado”.
Segundo investigação da polícia, os quatro adolescentes e o adulto teriam participado de três ataques na região da Paulista. O mais grave foi o terceiro, que foi registrado pela câmera de um edifício. Um dos agressores usou uma lâmpada fluorescente como arma e atingiu o rosto de um rapaz que caminhava com dois amigos.
A vítima chegou a reagir, mas foi espancada; seus colegas não reagiram. Testemunha desse crime, o porteiro Ramiro Porfírio dos Santos, de 25 anos, afirmou em depoimento nesta segunda que ficou impressionado com a violência. Ele chamou o vigia do edifício onde trabalha, Rafael Fernandes, para separar a briga. Na sexta-feira (19), o segurança afirmou em depoimento que ouviu da boca de um dos agressores a seguinte afirmação: “Batemos porque ele é veado”.
Santos, porém, não ouviu o que os rapazes disseram. “Eu estava dentro do prédio”, afirmou. Quando os jovens foram embora, o porteiro foi ajudar a vítima a se levantar. “Ele estava muito confuso, com a cara toda ensanguentada.”
“Houve uma agressão covarde”, resumiu o delegado Matallo. Ele acrescentou que espera concluir o inquérito ainda nesta semana. Para tanto, falta ouvir ainda a vítima, seus dois amigos que presenciaram a agressão e não reagiram, e novamente os agressores. “Quero saber quem bateu com a lâmpada no rosto do jovem”, concluiu o policial.


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